Daily Archives: 06/10/2010

A Matemática está mais uma vez em acção…

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Sara Santos «invade» as ruas de Inglaterra com a sua trupe de matemática

Eis o Maths Busking em acção!

Se furarmos umas meias de renda ficamos com mais ou menos buracos? Menos. Matemática? Absolutamente! Esta ciência é exacta e está presente todos os dias, em tudo, de forma palpável ou não. “Quanto mais sabemos sobre a matéria mais a apercebemos à nossa volta”, assevera a ‘maths busker’Sara Santos.

‘Maths Busking’ – matemática como animação de rua – já se implantou pelos pavimentos britânicos e esta investigadora portuguesa, actualmente no Royal Institution of Great Britain, em Londres (Reino Unido), é uma das responsáveis pelo ocasional aglomerado de pessoas que, em semicircunferência, se agrega junto de um grupo de animadores.

Esta ciência pode ser interessante até do ponto de vista lúdico e tornar-se tão viciante quanto a resolução de um enigma. “Quando vou trabalhar de bicicleta procuro colocar o aloquete de forma a criar um quebra-cabeças“, conta Sara Santos ao «Ciência Hoje» (CH). “Ainda hoje, no metro, vi um anúncio da Sky News onde uma pizza estava dividida em cinco partes e lembrei-me de um pentágono. Treinamos o cérebro, vemos o mundo mais simples, organizado e simétrico. Está sempre presente e é uma necessidade”, afirma ainda.

Por exemplo, até as formigas se regem por modelos matemáticos para tomarem decisões, defendeu num estudo David Sumpter, docente da Universidade de Uppsala (Suécia). O investigador explica que estes pequenos seres, apesar de terem ciclos de actividade frenética, são muito organizados e nunca chocam entre si, mesmo quando o fluxo é muito rápido e sem se regerem por regras como os humanos (através de semáforos, etc.). “Isto é matemática”, defendeu na tese.

Embora ainda não haja consenso sobre a sua definição, é uma ciência sem dúvida rigorosa e precisa. Centra-se “na investigação de estruturas abstractas definidas axiomaticamente, usando a lógica formal como base comum”. O desenvolvimento da área permeou as primeiras civilizações e tornou possível o desenvolvimento de aplicações concretas como o comércio, o manejo de plantações, a medição de terra, a previsão de eventos astronómicos, entre outras.

Maths Busking

A ideia do Maths Busking é usar novas ferramentas de comunicação não trivial – jogos, curiosidades, etc. – para cativar o interesse e desmistificar a relutância perante este designado ‘bicho-de-sete-cabeças’. No entanto, a equipa não dá aulas na rua mas sim espectáculos em formato de ‘stand up’. Segundo a investigadora, se seguirmos o pensamento matemático chegamos à estratégia vencedora. “Esta é a razão pela qual o ‘busker’ ganha quase sempre”, refere. Mas alerta: “Por vezes, existe alguém que começa a perceber como é que funciona” e por isso, o cálculo errado é subestimar o público.

Os jogos pretendem tornar as pessoas mais curiosas: “Nem toda a gente consegue provar teoremas mas podem ver o seu lado divertido e usar estes pequenos ‘truques’ em festas, por exemplo”. Durante a actuação sobre ‘Mind reading’ (leitura da mente), o grupo propõe-se adivinhar o dia exacto de aniversário de determinada pessoa através do uso de diferentes cartões com imensos números. Funciona, porque ao seleccionar esses cartões que contenham números que identifiquem a data, o público acaba por, sem se aperceber, escrevê-lo em sistema binário.

Maths Busking baseia-se em três princípios fundamentais usando os axiomas da matemática: primeiro, o ‘busking’ que é uma forma de entretenimento com uma audiência passiva, onde se assume que pode ser diferente e que não ficará o tempo todo; segundo, a matemática é sempre a atracção central e, por fim, toda a gente leva qualquer coisa para casa nem que seja o mínimo grau de aprendizagem. O resultado: Afinal, “o público sabe mais de matemática do que pensa”, assegura ao CH.

A equipa de ‘buskers’ – Sara Santos, Matt Parker, Steve Humble, Katie Steckles e Rufus Roberts – evita a proposição de problemas dirigidos a uma única pessoa, por ser demasiado individualista. Nem toda a gente se torna um ‘busker’, assegura. A ideia é usar um novo mecanismo de comunicação. No Reino Unido, “existem imensos projectos semelhantes para levar a ciência e a matemática às pessoas, mas os performers têm de ser suficientemente interessantes para atrair o público. Em vez de malabarismos e acrobacias usamos curiosidades matemáticas de forma divertida, já que o público não acede à área de forma tradicional”, acrescenta.

Entretanto, já existem outros membros em formação. “A ideia é construir uma rede de pessoas que leve a matemática mais além”. As últimas sessões de treino ocorreram no mês passado em Birmingham e embora já se saiba que as futuras sejam em Leeds, para 2011, ainda não têm data definida.

Analfabetismo numérico

Complicada ou não, hoje, a matemática continua essencial. Contudo, é frequentemente associada a “um bicho-de-sete-cabeças”, devido a considerações como “matéria de dificuldade”. Os docentes da disciplina procuram afanosamente a atenção dos alunos.

Para a investigadora, a atitude pública em relação à matéria é incompreensível. “As pessoas brincam que são um zero em matemática. No Reino Unido, sustenta-se a teoria de ‘geek’ chique ou ‘nerd’ com orgulho e, em Portugal, têm medo da disciplina e chegam a vangloriar-se por não terem noções mínimas. Tirar negativa a matemática é aceitável, mas a português já não”, enfatiza. Sara avança que as entidades empregadoras, em Inglaterra, já identificam quem sai da escola sem capacidade de relação lógica.

A matemática portuguesa, seja através do Maths Busking, ou das suas ‘masterclasses’, pretende contrariar esta tendência. A Sara coordena igualmente uma rede, organizada por locais, no Reino Unido, com mais de três mil crianças, a partir dos 13 – já que é quando ainda se consegue evitar que percam o interesse, pois a partir dos 16 existe a possibilidade de deixarem de estudar – em 50 núcleos, incluindo na Irlanda do Norte.

“Gosto de ensinar miúdos e a minha palestra preferida é sobre caleidoscópios tridimensionais. Inspirei-me numa exposição sobre matemática interactiva, do Grupo Atractor”. Os ‘masterclasses’ visam essencialmente crianças com interesse pela área, que revelam talento, mas que não têm sido estimulados.

Equação sustentável

Sara diz ser “organizada e coerente naquilo que é necessário”, mas considera que “o desequilíbrio de uma simetria pode muitas vezes ter mais dinâmica”. A investigadora já se destacou anteriormente por ter surgido com a solução sustentável de como poupar em papel de embrulhos para o Natal. O repto foi lançado pelaAmazon ao departamento de Matemática da Universidade de Manchester, onde Sara se encontrava.

Na investigação para o “embrulho perfeito”, a empresa de venda de produtos online pediu para considerar “o gasto de papel de embrulho e fita-cola”. Atenta, também teve em conta o padrão/motivo. Como resultado, “desenvolvi um procedimento para embrulhar caixas usando apenas um pedaço de fita-cola em vez dos tradicionais três. Para caixas quadradas, o uso de papel é mínimo e também permite alinhar o padrão nas juntas do papel”, explica.

Tal como nos envelopes para as cartas, o novo método permite que as prendas sejam embrulhadas utilizando uma única tira de fita-adesiva. O estudo foi baseado em desenhos e na sua visualização. A equação – ½ (d + 2h + w)2 = 2(w + h)2 – é “considerada apenas um pequeno passo algures no raciocínio”, referia o comunicado de 2005. O trabalho foi mesmo aproveitado por escolas inglesas e reforçou a motivação da ‘busker’ de origem lusa.

As performances de Maths Busking que se seguem serão nos próximos dias 23 e 24, em Londres, ainda a 30 e 31 deste mês, no Festival de Ciência de Manchester e a 9 de Novembro, em Portsmouth. O ‘busking’ é bastante comum em Inglaterra e até em Espanha. Levar a animação para Portugal é uma possibilidade e, embora falte quem financie o início do projecto, a ideia já está a amadurecer, talvez até matematicamente.

Fonte: Ciência Hoje (30-09-2010)

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Roleta Matemática – Máximo Divisor Comum e Mínimo Múltiplo Comum

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De uma forma lúdica e divertida podes colocar em prática os conhecimentos da sala de aula…

Diverte – te 😉